Públicos diferentes


 

Havendo naturalmente quem goste dos dois espectáculos, há diferenças muito grandes entre aqueles que frequentam habitualmente os estádios de futebol e os que frequentam as praças de toiros.

Nos estádios de futebol há necessidade de muitíssimos vigilantes, polícia, guarda republicana a pé e a cavalo, corpo de intervenção e polícia de choque para tomar conta das claques.

 As claques, mesmo sendo do mesmo clube, enfrentam-se e batem-se.

O árbitro e adjuntos entram e saem dos espectáculos com fortes proteções de segurança. Nenhum adepto se pode acercar ou falar com os árbitros.

As claques do clube visitante têm que ser encaminhadas e protegidas por fortes condições de segurança e logo que se aproximam do estádio e mal avistam as claques adversárias todos querem bater uns nos outros, como se fosse uma batalha campal. Perigosíssimos a tal ponto, que as chefias da polícia têm de engendrar planos complicados de actuação que são estudados ao pormenor antecipadamente e ensaiados antes de pôr em prática. É necessário pessoal especializado para o efeito e informação à Câmara Municipal e hospitais das imediações.

O público do futebol tem de ser revistado à entrada para se verificar se levam mocas, pistolas, navalhas, petardos, etc. Um perigo!

O público dos toiros é diferente. Diferente para melhor. Mais educado, respeitador e cordato.

O público que se dirige às praças de toiros, gosta de chegar com tempo, não só para ocupar ordeiramente o seu lugar, mas porque é um local de encontro de amigos.

Qualquer espectador pode falar com o director da corrida, que ali está sem problemas de segurança.

Na tourada há ordem, regras, educação e boas tradições. Há cultura e boas maneiras de estar.

Nas imediações de algumas praças de toiros aparecem grupos de anti-taurinos que gritam, apitam e incomodam quem está comprando bilhetes para assistir ao espectáculo. Insultam quem quer assistir. Não gostam de toiros, de toureiros e de forcados e não querem que os outros gostem.

Esses estão protegidos pela polícia, não porque alguém lhe queira fazer mal, mas porque as autoridades sabem que é gente que insulta e deseja agredir os aficionados. É necessário tomar conta deles, tal como das claques dos futebóis.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Do livro “Arenas”

 

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