O tal Gato do Campo Pequeno


 

(…) Mas o “Encantado” andava por ali com outro objectivo, passou pela “Jóia” e nem a cheirou. Limitou-se a olhar para a barriga dela. Em corrida desapareceu nos arbustos e com grande rebuliço engalfinhou-se às reboletas com uma gata que necessitava dos seus serviços. Era a “Bibi”, refilona e muito exagerada nestas coisas amorosas. Danada para a brincadeira a “Bibi” desorientava qualquer gato, miava baixinho primeiro e arfava e gemia durante e depois da visita. O “Encantado” gostava muito dela e mordia-lhe as orelhas para não espernear. Seria provavelmente a sua preferida. Ali no jardim da Fundação, de todas era certamente a melhor. Só o andar dela, lento, bamboleante, deixava o “Encantado” e os amigos de bigodes em pé. Os outros gatos diziam que ela era uma gata galega, que tinha um miar estranho, mas muito boa. Ora os gatos mais entendidos nestas coisas sabem que as galegas são de sonho. Esta tinha a vantagem de nunca ter tido filhos e andar sempre ali pelo jardim a brincar. Era, na verdade, muitíssimo brincalhona. (…)

in “O Gato do Campo Pequeno”

Autor Manuel da Zica

Edição Garrido Editores (Alpiarça) – 2002


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