A defesa da Europa
Na recente deslocação a Lisboa, a
ex-conselheira do governo dos Estado Unidos, Mary Kissel, fez diversas
considerações sobre a necessidade da Europa aumentar as suas capacidades de
defesa face ao perigo de eventuais ataques dizendo, no essencial, no que se
refere ao seu país:
“Precisamos de nos concentrar nos
nossos recursos internos, em proteger a nossa pátria. Precisamos que a Europa
assuma mais responsabilidade pela sua segurança, tal como os nossos parceiros
na Ásia-Pacífico.”
É verdade que os europeus têm
dependido dos Estados Unidos no que diz respeito à defesa e tudo indica que
depois da “Guerra Fria” a sua atitude foi no sentido de se considerar que a
Europa já não enfrentaria mais ameaças por parte de outras nações ou regimes,
tanto mais por existir a NATO que foi justificada como sendo uma organização
para a segurança colectiva.
Essa aliança foi iniciada em
1949, através da assinatura do Tratado de Washington e foram os Estados Unidos que
evitaram que se constituísse um outro sistema europeu de defesa independente da
Organização do Tratado do Atlântico Norte. Na verdade, o presidente da França,
François Mitterand, em 1990 tinha sugerido aos Estados europeus que
organizassem um dispositivo de segurança do qual seriam os únicos responsáveis,
embora continuassem associados à NATO, mas esta proposta foi rejeitada.
Face à política da actual
administração dos Estados Unidos e à ameaça colaborante da Rússia, China e Irão,
a Europa tem de ser mais forte e reflectir se vai dar prioridade ao crescimento
económico ou investir na defesa, sabendo-se que sem defesa qualquer crescimento
poderá ser anulado.
Manuel
Peralta Godinho e Cunha
Junho
de 2026

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