As excepções
O
toiro visto da bancada tem um determinado tamanho, da trincheira outro e lá
dentro, na arena, é enorme.
Enorme
coração tem quem consegue estar serenamente em frente dele.
Alguns,
mesmo sentados na bancada, perdem a serenidade e explicam, lá de cima, como os
outros deveriam fazer lá em baixo. Então elucidam em voz alta aos espectadores
que estão sentados a seu lado, como é que o cavaleiro deve cravar ao estribo e
dando vantagem ao toiro; como o forcado deveria ter feito e não fez na segunda
tentativa; como os campinos teriam muito a aprender como o Senhor Florito faz
na Praça de Madrid.
Outros,
mais modernos, urbanos assustados e muito extravagantes, interiorizam que são
toiros e berram, apitam e gritam nas imediações da Monumental do Campo Pequeno,
convencidos que estão a acabar com toureiros e touradas. Mal começa a corrida,
eles e elas, obedecendo ao chefe, destroçam e lá desaparecem pela Avenida da
República pensando que fizeram algo de interessante a favor da bovinocultura e
aguardando mais uma noite de quinta-feira para voltar a apitar, gritar e
esbracejar, mas sempre com o abrigo e protecção dos polícias que deles tomam
conta.
Há
também os políticos, que para estarem politicamente correctos, preferem nem
falar no assunto e não serem vistos às quintas-feiras num raio de 2 km a partir
do centro da arena do Campo Pequeno. Desses há em grande quantidade e democraticamente
eleitos, não obstante o eleitorado estar reduzido a menos de metade quando há
aproximação às urnas nas eleições legislativas.
Mas
há excepções e boas. Como por exemplo a Drª. Gabriela Canavilhas
(ex-Ministra da Cultura), o Dr. Francisco Moita Flores (Ex-Presidente da Câmara
de Santarém) e principalmente o Dr. Elísio Summavielle (ex-Secretário de Estado
da Cultura).
Olé!
Manuel
Peralta Godinho e Cunha
Agosto
de 2023

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